HomeMapa do SiteContato
EmpresaCursosNotíciasServiçosIndústriasParceirosEmpresas para Negociação
Voltar

Tecnisa troca comando para reverter queda dos papéis
14/01/2008 | 23:59:25

Yan Boechat, de São Paulo
14/01/2008 - Valor Econômico

Na última segunda-feira, quase um ano após ter captado cerca de R$ 750 milhões no mercado acionário, o engenheiro Meyer Joseph Nigri declinou da presidência executiva da construtora e incorporadora Tecnisa, criada por ele 30 anos antes. Passou o cargo ao ex-presidente da Polaroid, da HSM e um dos gurus brasileiros do efervescente mercado de auto-ajuda executiva, Carlos Alberto Júlio. Nigri, agora presidente do Conselho, foi o primeiro acionista majoritário entre as empresas do setor a abdicar do comando após a ida ao mercado. Para muitos analistas e mesmo para o novo presidente da empresa, a Tecnisa acabou ficando grande demais para Nigri. 


Sua saída está ligada ao fraco desempenho das ações da companhia. Desde que abriu o capital, em janeiro de 2007, os papéis da Tecnisa acumulavam até sexta-feira perdas de 26,8% enquanto o Ibovespa, no mesmo período, teve uma valorização de quase 40%. Levantamento do banco de investimentos Credit Suisse com os papéis de 20 incorporadoras residenciais mostra que a média de valorização do setor foi de 42% em um período de 360 dias encerrado no dia 7, exatamente quando Nigri deixou o comando da empresa. 


Sob sua gestão como presidente da Tecnisa como empresa pública, a companhia conseguiu entregar o volume de lançamentos prometido, manteve uma margem bruta de 34% e vendeu cerca de 40% dos R$ 1 bilhão em imóveis que colocou no mercado em 2007. Mas não foi o bastante para os investidores. A concentração dos investimentos dos recursos captados em terrenos na cidade de São Paulo, a consequente falta de diversificação regional, a também concentração no mercado de médio e alto padrão e a figura centralizadora de Nigri tiraram o apetite daqueles que apostaram na companhia 


Por conta da concentração dos terrenos em São Paulo, a Tecnisa teve dificuldades em entregar o volume de lançamentos prometidos. Ao fim do terceiro trimestre, poucos acreditavam que a companhia colocaria no mercado os R$ 1 bilhão que tinha anunciado. "A concentração em uma região e em um segmento foi algo que a maior parte das empresas havia abandonado há mais de um ano e o mercado cobrou um preço alto da Tecnisa por isso", diz um analista que acompanha a empresa" 


Foi por essa época, em setembro, quando a bolsa começou a se recuperar do grande tombo de agosto e as ações da Tecnisa seguiram o caminho oposto, que Nigri decidiu sair do comando. Convidou para assumir seu lugar Carlos Alberto Júlio, que havia conhecido há 10 anos nos encontros do YPO (Young Presidents Organization), uma entidade que, como diz o nome, reúne jovens presidentes de todo o mundo a fim de trocar experiências. Meyer, de origem judaica e família de classe média alta, e Júlio, um filho de imigrantes portugueses que começou a vida trabalhando com o pai atrás do balcão de um boteco no bairro do Ipiranga, se tornaram amigos íntimos por conta desses encontros. 


Membro independente do conselho de administração da Tecnisa, Carlos Alberto Júlio, ainda presidente da empresa de eventos executivos HSM, aceitou o convite. Pediu apenas para assumir em janeiro para fazer a transição no comando da empresa que presidiu nos últimos oito anos e da qual também é acionista. 


Na última segunda-feira Júlio assumiu. Apesar do cargo, não ocupou a antiga sala da presidência, esta ainda sob o poder de Nigri. Com pouca experiência no mercado imobiliário e considerado por ele mesmo um executivo de muito sucesso, como diz sua biografia em seu site na internet, Carlos Alberto Júlio vai comandar a empresa de seu amigo com a missão de fazer com que a Tecnisa não sucumba à seleção natural que ele mesmo acredita que haverá entre as empresas do frenético mercado imobiliário brasileiro. 


"Haverá um seleção e queremos ser um noivo atraente tanto para cortejar como para ser cortejado", disse ele na última quinta-feira. Nas próximas semanas inicia uma campanha de publicidade em veículos especializados para divulgar aos investidores os feitos da Tecnisa e determinou que a direção de relações com investidores tenha um papel mais pró-ativo para convencer o mercado de que os papéis estão sub-avaliados. Por conta da cotação atual, a companhia desistiu de fazer uma nova emissão ou mesmo lançar debêntures para captar cerca de R$ 400 milhões necessários para lançar os R$ 3,5 bilhões prometidos para os dois próximos anos. "Vamos estruturar operações de dívida; é o mais vantajoso nesse momento", diz ele. 


Mas Júlio também sabe que precisará fazer mudanças mais profundas na Tecnisa para reconquistar atenção dos investidores. Além de implantar um sistema de gestão mais eficiente, ele quer definir uma estratégia de longo prazo mais clara para a companhia. "Estamos estudando o que fazer, mas não há dúvida que para uma empresa ser grande no Brasil ela precisa ir para a baixa renda", afirma. "Existem outros caminhos, a baixa renda não é o único pote de ouro, mas estamos olhando com muito cuidado o que faremos nesse segmento". 


A Tecnisa foi uma das poucas empresas do setor a não adotar a panacéia encontrada pelas rivais para garantir altos índices de crescimento: diversificação regional e uma redução dos preços médios dos imóveis. Em 2007, cada apartamento lançado pela Tecnisa custou, em média, R$ 372 mil. "O mercado nos penalizou por essas e outras questões que estou, ainda, tentando entender", admite Júlio. 


Nos próximos dois anos a Tecnisa pretende fazer lançamentos em 32 cidades de seis estados do país. Seu banco de terrenos com potencial de lançamento de R$ 4,5 bilhões (sendo que cerca de 50% disso está concentrado no grande terreno da Telefônica adquirido na Zona Oeste de São Paulo), deve ser ampliado para outras regiões e diversificado para segmentos mais populares. "Somos uma empresa sólida, Meyer Nigri é um dos maiores desenvolvedores imobiliários do Brasil, só precisamos fazer o mercado entender nossa estratégia", diz Júlio, que afirma que o talento do principal acionista da empresa estava sendo desperdiçado em meio aos labirintos burocráticos que envolvem a presidência de uma empresa pública. 


Nigri vai se concentrar nas questões que lidou nos últimos 30 anos: definição de projetos, análise de áreas com potencial para incorporação, análise do mercado. "Enfim, todos os detalhes que um profissional do quilate dele conhece", diz Júlio, em rasgados elogios ao amigo e, agora, patrão. Nigri continuará no dia-a-dia da empresa, ocupando a mesma sala na qual presidiu a companhia nos últimos meses. "Ele não vai abandonar a empresa", diz o executivo. Na última quinta-feira, Nigri deu uma pequena prova disso. 


Entrou na sala de Carlos Alberto Júlio enquanto o executivo dava entrevista ao Valor para comemorar a valorização dos papéis da companhia naquele dia. "Estamos subindo 2,5%, tá mudando, é o início da virada", disse, empolgado. Em seguida, emendou, com ares ainda de presidente: "Júlio, você viu que um pedaço do rodapé aqui perto da porta está quebrado; precisamos mandar trocar isso, pois não fica bem para uma construtora", disse, antes de sair da sala de forma tão abrupta quanto entrou. 


   
cadastrar | esqueci minha senha
Confidencial 2
Setor: Implementos Rodoviários
Produto/Serviço: Semi-reboques e tanques
Confidencial 3
Setor: Equipamentos rodoferroviários
Produto/Serviço: Equipamentos para Fabricantes de Implementos Rodoviários
ver todas
01/10/2016
Empreendedores criam app que resolve fila na saída da escola

07/09/2016
Franquia de croasonhos artesanais segue expandindo

ler todas
Curso - Gestão de Riscos em Construtoras
Local: Parque Tecnologico Univap
Curso - Como se Preparar para Abertura de Capital (IPO)
Local: Parque Tecnológico Univap
ver todos
Cadastre seu e-mail para receber informações atuais e notícias.
Cadastra Remove
 
  Av.Alfredo Ignácio Nogueira Penido, 255 - sala 402 - CEP 12246-000 - São José dos Campos/SP - Tel. (12) 3942-2620 / 3942-2611  
Compatível com os browsers IE, Firefox e Opera Site construído com os Padrões Web Internacionais do W3C! CSS segundo os Padrões Web Internacionais do W3C!